domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sonhar

Uma vez, Fernando Pessoa disse que de sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa. 
Uma vez eu sonhei que te esquecia, porque eu só queria não lembrar que você ainda vaga pelas minhas lembranças.
Eu queria não lembrar daqueles momentos, aqueles, em que eu entreguei o meu coração à alguém que hoje eu nem conheço mais.
Queria desculpar-me por te-lo beijado com os olhos apertados.
Queria não lembrar do estrago nem da dor, eu só queria achar um jeito de remendar o que foi rasgado.
Queria esquecer de tanto olhar para trás, de tanto chamar quem não me escuta mais, deixar de fingir não me importar e no fundo torcer para te ver passar.
Mas, isso é só um sonho, não é? E sonhos como este não vogam nessa realidade, então, eu os substituo pelo que de veras acontece, só assim a vida segue.

Luana de Sousa

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O amor é para poucos

O Aurélio apresenta seis significados distintos para uma palavra gramaticalmente classificada como substantivo, um termo que hodiernamente, adquiriu enorme frivolidade e descrença, por um simples motivo: a sociedade está habituada a fazer uso desse vocábulo de maneira inverídica.
Enfim, você possivelmente já deve saber a palavra/termo a qual faço referência, o amor. Conforme o dicionário, ele é descrito subsequentemente como: um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem OU um sentimento de dedicação absoluta a outro, ou a uma coisa OU inclinação ditada por laços de família OU inclinação sexual forte por outra pessoa OU afeição, amizade, simpatia OU objeto do amor. Etimologicamente o amor emana do latim (amma - voz infantil para chamar a mãe e o sufixo or - que faz referência a calor, fervor, etc.), os gregos, porém, enobrecem quatro sentidos e termos distintos para o vocábulo amor.
Depois dessa pequena erudição, enceto um questionamento a respeito disso que a sociedade chama de amor, meninas de 10 anos dizendo que nunca mais encontrarão sentido na vida, porque perderam o que elas mesmas chamam de "amor da minha vida", pessoas que encontram o verdadeiro amor milhões de vezes por amo, relacionamentos descartáveis, que hoje um diz ao outro: "eu te amo para sempre", amanhã terminam o namoro e no dia seguinte encontram um "novo amor" - sinceramente, isso não é amor, nem paixão, nem gostar, isso é CARÊNCIA, sim, CA - RÊN - CI - A, as pessoas estão cada vez mais carentes e sozinhas, por isso elas sonham com um amor verdadeiro, mas isso não significa que elas possuam discernimento a respeito dos seus próprios anseios, de veras, o que acontece é justamente o oposto, as pessoas fazem questão de permanecer numa penumbra e pensam que "tudo que reluz é ouro", mas não é, e no fim de cada relacionamento descartável, está um coração que anseia em demasia por um amor, que muitas vezes não existe e nem vai existir, porque essas pessoas estão presas em uma caverna e só conseguem enxergar alegorias, é triste, mas é a realidade de muitos. Porém, ainda existem poucos, que pensam que o amor é para pouquíssimos, talvez o amor não seja nem para eles mesmos, mas, eles sabem que o amor existe.


Luana de Sousa

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pusilânime

Minhas lembranças me transmutam na própria pusilanimidade, me fazem perder a serenidade pela essência das coisas ou das pessoas e pela sorte que se opõe a mim. 
A consciência que embora eu mesma tenha maculado, não consente em me libertar de uma culpa que não me pertence. O sentimento censurável e abusivo que se prolonga no meu encalço me aborrece um pouco mais a cada dia e me outorga uma fadiga insubsistente que é  expelida por gritos exaltados e atos inconsequentes.
E a cura para o meu mal é meramente rearranjar meus sentimentos e extirpar de mim o exclusivo, a covardia, o medo amar.  

Luana de Sousa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Quando estava tudo cinza eu comecei a ver uma ponta azul no céu! :D